SABIA QUE? · A desta hora
Segurança — Bandeiras · nadadores-salvadores · 112
Conselhos da Autoridade Marítima Nacional: preferir praias vigiadas, respeitar as bandeiras e as indicações dos nadadores-salvadores, hidratar-se, evitar o sol entre as 11h e as 16h, não permanecer sob falésias instáveis; em caso de emergência, não entrar na água, alertar o nadador-salvador ou ligar 112.
História do Porto Santo14
c. 1370 — Antes dos portugueses — A ilha já figura no Atlas Medicis
O município recorda que um atlas italiano de cerca de 1370 menciona o Porto Santo antes da chegada dos navegadores portugueses.
1418 — Descoberta — João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira
Enviados a reconhecer a costa marroquina para o Infante D. Henrique, os dois capitães foram desviados por uma tempestade e encontraram abrigo numa baía protegida a que chamaram Porto Santo. A Madeira foi alcançada no ano seguinte, em 1419.
A lenda dos coelhos — Uma coelha prenhe fugida no primeiro desembarque
Uma memória antiga atribui a Perestrelo a escassa vegetação da ilha: uma coelha que parira durante a travessia teria sido solta e a sua descendência invadido o Porto Santo em poucos anos. As enciclopédias notam que nenhuma fonte contemporânea é citada para este relato.
1478–1480 — Cristóvão Colombo — Casa com Filipa Moniz, filha de Perestrelo
Mercador de açúcar, Colombo frequentou o arquipélago a partir de 1478 e casou com Filipa Moniz Perestrelo por volta de 1479. O casal viveu algum tempo no Porto Santo, onde a tradição situa o nascimento do filho Diogo (c. 1479–1480) e a preparação da travessia para ocidente. Colombo voltou a passar pela ilha em 1498, na terceira viagem.
Casa Colombo — Duas janelas góticas do início do século XVI
A tradição oral faz desta casa da Travessa da Sacristia a morada de Colombo; o conjunto atual data dos séculos XVIII e XIX. O museu abriu em 1989 e foi reformulado em 2004: expansão portuguesa e espanhola, império colonial holandês, tesouro do Slot ter Hooge.
1533 — Capela da Graça — Fundada em 1533, refúgio durante os ataques
Isolada na encosta do Pico do Castelo, destruída em 1812 e reconstruída no século XX, guarda uma imagem da Virgem do século XVI de oficina flamenga. A sua festa, a 15 de agosto, é das mais concorridas da ilha.
1566 — Corsários franceses — A igreja é saqueada e quase destruída
No mesmo ano, o Funchal foi saqueado durante quinze dias pelos franceses de Peyrot de Monluc. No Pico do Castelo, um pequeno forte do século XVI servia de refúgio contra estas incursões; no Pico do Facho, fogueiras avisavam da aproximação dos navios.
1713 — A ilha quase abandonada — A Coroa mantém os habitantes
Isolamento, aridez e ataques puseram em causa a presença humana; a Coroa opôs-se, considerando o Porto Santo um ponto estratégico para a soberania portuguesa.
13 de outubro de 1770 — Vinha na areia — Uma Carta Régia de D. José I relança a agricultura
Foram distribuídos bacelos para os terrenos arenosos do centro da ilha, onde hoje está o aeroporto; em 1779 já chegavam à Madeira vinho e aguardente do Porto Santo, cujo vinho, rico em açúcar, servia para adoçar os melhores vinhos da Madeira. A mesma carta obrigava a plantar árvores nos limites das terras e nos leitos das ribeiras para reter a água da chuva.
7 de janeiro de 1893 — As águas da Fontinha — Analisadas em Paris, medalha de ouro no Rio em 1918
A Escola de Minas de Paris classificou a nascente da Fontinha entre as águas bicarbonatadas e sulfato-sódicas; foi premiada na exposição internacional de águas minerais do Rio de Janeiro.
Década de 1920 — Reflorestação — António Schiappa de Azevedo arboriza o Pico do Castelo
Árvores e materiais subiram à mão um pico despido; uma nova campanha de coníferas cobriu a encosta na década de 1950. O seu busto vigia perto do cimo.
1980 — Água do mar — Primeira dessalinizadora da Europa
Quando abriu, a central de osmose inversa de Vila Baleira era uma das cinco unidades industriais do género no mundo e a primeira em solo europeu. Hoje toda a água potável da ilha vem do mar, captada por quatro galerias sob a praia, depois tratada e mineralizada (operador ARM).
Uma rainha contra o luxo — D. Maria I impõe vestuário feito de produtos insulares
A rainha D. Maria I impôs, como medida de economia, um vestuário fabricado de produtos insulares, para combater o luxo demasiado e a prosápia da fidalguia de que se ufanavam os habitantes — prejudicando, escreveu o Pe. Eduardo Pereira, a vida e a economia do Porto Santo.
1929 — Deixa-se de levar os passageiros ao colo — O cais de 102 metros, iniciado a 19 de março de 1929
A construção do cais começou a 19 de março de 1929 no centro da vila: 102 metros de comprimento por 4 de largura, assentes em pilares robustos colocados a igual distância. A partir daí, os passageiros que aportavam ao Porto Santo puderam embarcar e desembarcar pelos seus próprios meios, em vez de serem transportados às costas ou ao colo de homens fortes, como durante séculos se fez.
Natureza e Geologia11
Um vulcão debaixo do mar — A ilha nasceu há cerca de 18 milhões de anos
O Porto Santo cresceu primeiro debaixo de água e emergiu há uns 14 milhões de anos. As últimas erupções têm cerca de 8 milhões de anos: a ilha é mais antiga do que a Madeira.
Fonte da Areia — Dunas fósseis com 31 000 anos
Estas falésias de areia endurecida guardam moldes de raízes, crostas de calcário e conchas de caracóis: paisagens verdes de outrora, varridas pelo vento norte. A nascente, outrora tida por sagrada, dava a água mais pura da ilha; ao lado subsiste uma fonte do século XVIII.
O Piano de Ana Ferreira — Colunas de pedra como as teclas de um piano
Ao arrefecer na chaminé do vulcão, a lava partiu-se em colunas regulares. A antiga pedreira que as pôs a descoberto está classificada. Um pequeno caracol só existe aqui.
Zimbralinho e Morenos — Lavas em almofada nascidas debaixo do mar
No Zimbralinho, as melhores lavas em almofada da ilha, solidificadas debaixo de água. Nos Morenos, filões de lava, dunas fósseis com 30 000 anos com os seus moldes de raízes, e conchas de caracóis hoje extintos.
O salão, a argila verde — Uma argila única em Portugal, que cobria os telhados
Na Serra de Dentro, ravinas verdes: uma argila nascida da alteração de rochas vulcânicas submarinas. As antigas casas de salão cobriam com ela o telhado.
Plantas que só existem aqui — Cerca de 536 espécies, 15 delas exclusivas do Porto Santo
O dragoeiro, a oliveira brava e o zimbreiro do Pico Branco lembram a floresta original; os pinheiros das alturas foram plantados a partir dos anos 1950. O Pico Branco e a Terra Chã guardam a flora mais bem conservada da ilha.
O dragoeiro — A árvore do «sangue de dragão», ameaçada
A sua resina vermelha servia de remédio. Cresce devagar: 1,2 m em dez anos. No Porto Santo é uma das raras testemunhas da vegetação original.
Ilhéu de Cima — 32 ha · 111 m · farol em funcionamento desde maio de 1901
A 380 m da costa, o seu farol foi o primeiro avistado pelos navios vindos da Europa. Nas suas encostas, uma lava em almofada gigante e bolas de algas calcárias fósseis, com 14 a 15 milhões de anos, parecidas com laranjas.
Ilhéu de Ferro — 115 m · a «Furna que Berra»
Triângulo rochoso em frente à Ponta da Canavieira. Na Ponta da Chaminé, uma furna pulveriza a água do mar com ondulação forte; a norte, a Furna que Berra «grita» sob as ondas. Duas tarântulas e um caracol só existem neste ilhéu.
Porto das Salemas — Piscinas naturais turquesa na maré baixa
Na costa norte, um recanto de acesso difícil revela na maré baixa piscinas naturais de um azul-turquesa, ao pé de falésias riscadas por filões de lava.
Palmeiras em perigo — O escaravelho-vermelho chegou à ilha em outubro de 2023
Um escaravelho vindo da Ásia escava os troncos e mata as palmeiras por dentro. O município coloca armadilhas e abate as árvores atingidas: não desloque palmas nem troncos.
Cultura viva do Porto Santo2
O Baile da Meia-Volta — Uma dança identitária do Porto Santo
Recolhido com o baile do ladrão e o baile sério pelo Grupo de Folclore do Porto Santo, fundado em 1963 pelo Padre Martins Júnior e estreado a 1 de novembro do mesmo ano; cerca de quarenta elementos dos 12 aos 60 anos em trajes de linho, estopa e lã dos finais do século XIX.
Moinhos da Portela — Três moinhos requalificados, inaugurados a 14 de outubro de 2023
O primeiro moinho da ilha terá surgido em 1794. Há muito esperados, os três moinhos da Portela voltaram ao seu lugar de origem; o grupo de folclore atuou na inauguração.
Sabores do Porto Santo10
Bolo do caco do Porto Santo — Mais alto, maior e sem batata-doce
Pão redondo cozido no caco — placa de barro, basalto ou ferro aquecida sobre brasas — feito de farinha de trigo, fermento, água e sal; na Madeira leva batata-doce, no Porto Santo não. Servido quente com manteiga de alho e salsa. O trigo chegou ao arquipélago na segunda metade do século XV.
Escarpiada — Pão fino de farinha de milho
Come-se todo o ano com gaiado, chicharros assados, salada de serralhas ou lapas cruas.
Gaiado seco — Gaiado salgado e seco ao sol
Muito apreciado, grelhado ou em escabeche, ou cozido com batata e cebola crua ou cozida.
Ervas silvestres — Ranchões, saramagos, perrexil, serralhas
Uma cozinha da escassez, nascida da aridez e dos solos pobres: Rapistrum, Sinapis e perrexil cozidos e temperados, serralhas (Sonchus) em salada em vez de alface.
Lapas — Lapa branca e lapa preta, grelhadas com manteiga de alho
Patella aspera e Patella candei. Regras regionais: tamanho mínimo 40 mm, defeso de 1 de dezembro a 31 de março, até 3 kg por dia e por pessoa sem licença. Na reserva marinha, a apanha de mergulho é proibida; no calhau é permitida.
Peixe do dia — «O peixe do dia»
O menu depende da pesca da noite; é sempre a melhor escolha.
Vinho do Porto Santo — Brancos de Listrão e Caracol em areia calcária
A vinha ganhou expressão com a Carta Régia de 1770. O Listrão é o Palomino fino, «rainha das castas brancas»; o Caracol, muito produtivo; o moscatel completa. As cepas abrigam-se atrás dos muros de croché em pedra seca; em 2025, cerca de 17 toneladas de uvas foram entregues na adega da Justino's pelos viticultores da ilha.
Fruta da ilha — Melão, melancia, figos e tabaibos
Produtos sazonais típicos; no verão, bancas nos estacionamentos do Ribeiro Cochino vendem uvas, melancia e figos com bolo do caco.
Milho frito — Polenta frita dourada
Acompanhamento tradicional do arquipélago.
Polvo à lagareira — Polvo com azeite e alho
Especialidade de Vila Alencastre.
O Oceano Atlântico7
Posição — 33° N · 43 km a nordeste da Madeira
A 500 km da costa africana e 1 000 km do continente europeu; os geólogos situam a ilha a cerca de 700 km do noroeste de África.
Temperatura da água — 18 a 24 °C ao longo do ano
Intervalo do turismo regional; nas praias, 24–25 °C em pleno verão. Mínimo em março, máximo em setembro.
A corveta General Pereira d'Eça — Afundada a 13 de julho de 2016 a 29–30 m de profundidade
Corveta da classe João Coutinho construída na Blohm + Voss, em Hamburgo (1970), com 85 m. Chegou às águas da Região a 19 de junho de 2016, foi descontaminada, lastrada e afundada com explosivos na baía do Porto Santo, a cerca de duas milhas do Madeirense. Recife artificial e «museu subaquático» entre 15 e 30 m; primeira campanha de monitorização de 31 de outubro a 4 de novembro de 2016.
Aves marinhas — Quatro procelariiformes nidificam na IBA dos ilhéus
Cagarra, alma-negra, roque-de-castro e pintainho nos ilhéus de Cima, da Cal e de Ferro; garajau-comum, gaivota-de-patas-amarelas e possivelmente garajau-rosado. Habitat de interesse comunitário: falésias com flora endémica das costas macaronésias.
Pesca desportiva — Espadim-azul e atum-patudo de junho a setembro
Também atum-branco, atum-rabilho, tubarão-martelo, barracuda, gaiado e espadarte; a cinco minutos do cais, o mar tem 1 000 m de profundidade.
Qualidade das águas — Bandeira Azul 2026 em três praias · Qualidade de Ouro
Fontinha, Ribeiro Salgado e Cabeço da Ponta hasteiam a Bandeira Azul; a Fontinha desde 1989. Seis praias da ilha receberam a «Qualidade de Ouro» da Quercus em 2019. Nove águas balneares estão identificadas em 2026.
Segurança no mar — Praias vigiadas · bandeiras · 112
Época balnear de 1 de maio a 31 de outubro; nadadores-salvadores garantidos na Fontinha, no Cabeço da Ponta e no Ribeiro Salgado. Em emergência, não entrar na água: alertar o nadador-salvador ou ligar 112 (Autoridade Marítima Nacional).
A Praia Dourada7
Reconhecimento científico — Estudada pela Universidade de Aveiro
Areia carbonatada biogénica descrita em publicações de geomedicina; grupos de doentes noruegueses frequentam o Centro de Geomedicina do Hotel Porto Santo desde 1999.
Comprimento — 9 km de areia fina · cordão dunar com cerca de 7 km
Do Penedo, junto ao porto, até à Calheta, a sudoeste. A ampla baía associa praia e campo dunar ao longo de cerca de 7 km.
Temperatura da água — 24–25 °C em pleno verão · cerca de 18 °C em março
Valores de verão do turismo regional. O mínimo anual ocorre em março (média de 17,8 °C) e o máximo em setembro (23,5 °C), segundo os registos de satélite dos últimos dez anos.
Bandeira Azul 2026 — Fontinha · Ribeiro Salgado · Cabeço da Ponta
Bandeira hasteada até 30 de setembro de 2026 (desde 5 de junho na Fontinha e no Ribeiro Salgado, 1 de junho no Cabeço da Ponta). A Calheta hasteou-a em 2024, mas sai da lista em 2026. As primeiras Bandeiras Azuis da Madeira foram hasteadas em 1989, uma delas na Fontinha.
Época balnear 2026 — Nadadores-salvadores garantidos em 3 zonas
Fontinha e Cabeço da Ponta de 15 de maio a 31 de outubro, Ribeiro Salgado de 1 de maio a 31 de outubro. Penedo, Pedras Pretas, Ribeiro Cochino, Lagoa, Calheta e Porto das Salemas são águas balneares identificadas de 1 de junho a 30 de setembro, sem vigilância garantida pela portaria nacional: respeite as bandeiras e os avisos de «praia não vigiada».
Fauna — Andorinhas-do-mar, borrelhos, tartarugas-comuns
O borrelho-de-coleira-interrompida, raro nidificante das praias, está «criticamente em perigo» na Região; a tartaruga-comum frequenta as águas da reserva.
Segurança — Bandeiras · nadadores-salvadores · 112
Conselhos da Autoridade Marítima Nacional: preferir praias vigiadas, respeitar as bandeiras e as indicações dos nadadores-salvadores, hidratar-se, evitar o sol entre as 11h e as 16h, não permanecer sob falésias instáveis; em caso de emergência, não entrar na água, alertar o nadador-salvador ou ligar 112.
Caminhar no Porto Santo6
Acesso e reserva 2026 — 4,50 € por pessoa · intervalos de 30 min · SIMplifica
Desde 1 de janeiro de 2026: 4,50 € para o público, 3 € com um operador com protocolo com o IFCN; grátis para residentes na Região e crianças até aos 12 anos, mas com registo obrigatório para todos. Reserva em simplifica.madeira.gov.pt, do nascer ao pôr do sol.
Estado dos trilhos — PR1 aberto · PR2 aberto · PR3 parcialmente encerrado
Na lista oficial, o PR3 só está transitável entre a Camacha e a Capela da Graça: o túnel de 530 m para o Ribeiro Formoso está encerrado. Consulte a lista de percursos abertos/encerrados (IFCN) antes de partir.
Sinalização — Marcas amarelas e vermelhas das Pequenas Rotas (PR)
Todos os percursos recomendados da Região são PR: menos de 30 km ou menos de um dia de caminhada. Um traço amarelo e vermelho confirma o caminho certo, uma cruz assinala o errado; não destrua nem modifique a sinalética.
Normas de conduta — Mantenha-se no trilho · não faça lume · não deixe lixo
Normas do IFCN: manter-se no trilho, não colher plantas nem perturbar os animais, não deixar nada para trás (os lenços de papel decompõem-se muito lentamente), não fazer lume, não deitar beatas no chão, evitar ruído.
Segurança — Não caminhe só · avise alguém · 112
Recolha informação atualizada sobre o percurso, avise do itinerário e da hora de chegada, termine antes de anoitecer, leve água e comida de reserva, calçado e roupa adequados e um telemóvel. Com chuva forte ou vento intenso, desista ou volte pelo mesmo caminho. Emergência: 112 · Proteção Civil: 291 700 112.
A vereda do Pico do Facho — Vereda não sinalizada desde o Pico do Castelo
Nenhuma estrada chega ao cimo; o caminho parte do Pico do Castelo. Não faz parte dos percursos classificados e não tem distância nem duração oficiais. O nome recorda as fogueiras (fachos) acesas para sinalizar a aproximação de navios piratas.